quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cupins (terror dos colecionadores e restauradores) - Publicação 5

 

O Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC) é um acervo particular e privado, que desenvolve pesquisa na evolução mecânica e social deste importante instrumento mecânico.

Vide Publicações 1 a 4, referentes a: Identificação do Museu, Colecionador, Importância da Máquina de Costurar, Precursores e outros pioneiros e Restauro

 

Os cupins (térmitas) são insetos que abundam nos trópicos, alimentando-se de celulose (C6H10O5) constituinte das paredes das células vegetais da madeira seca.

Entomologicamente, são denominados termitídeos, com cerca de 300 espécies conhecidas, constituindo importantes pragas urbanas, pois danificam o madeirame de construção, móveis e livros.

São rigorosamente organizados numa sociedade de castas, onde cada integrante possui uma função específica e fisiologia própria.

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Rainha, prestes a ovopositar

 

A rainha, que vive mais de 20 anos, possui a função específica de acasalar e ovopositar. Outros cupins, exclusivos, tratam da sua alimentação e segurança. Milhares de ovos, com cerca de 3mm cada, são produzidos por ela a cada ano e ficam incubados por duas semanas sob o cuidado dos cupins-operários.

Após este período nascem as ninfas, que se alimentam de resíduos regurgitados por operários que as cuidam e tratam.

Após diversos estágios de crescimento, assumem uma determinada e exclusiva posição nas castas, geneticamente programados.

Os reprodutores adultos, machos e fêmeas, desenvolvem órgãos sexuais, asas e seus olhos tornam-se funcionais. Em determinado momento, deixam a colônia em enxameamento, simultaneamente, de preferência na primavera e no outono. Como tem dificuldade para percorrer os túneis, até a saída, operários os “empurram” até a saída.

Após encontrar um local propício, normalmente próximo, perdem as asas e instalam-se.

A rainha é fecundada e iniciam ali nova colônia, cujos ovos formarão ninfas, soldados, operários e reprodutores.

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Enxameamento alado

 

Os operários, estéreis e cegos, são ávidos por celulose, o alimento básico para toda a colônia. Alguns também atuam na segurança e alimentação da rainha, ovos e ninfas. Trabalham 24 horas por dia, perfurando o interior das madeiras, construindo galerias e câmaras. Para melhor segurança, criam labirintos com saída difícil e bloqueiam caminhos com paredes de cera.

Os soldados, ao final do estágio de crescimento, adquirem uma blindagem na cabeça, assim como grandes e fortes mandíbulas. Aguerridos, são preparados para defender a colônia dos inimigos, especialmente das formigas.

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Térmitas operários

 

Os ataques à madeira são aniquiladores, destruindo estruturas, portas, mobílias e peças constituídas com o material. Infelizmente, as infestações são notadas após vários anos da instalação inicial, quando já é difícil combater a praga instalada ou recuperar a peça atingida. Como são lucífugos (não aparecem à luz), deslocam-se somente nas galerias cavadas dentro da madeira.

Para saber de sua existência, podemos atentar a:

1. Observar as revoadas (parecem formigas com asas) para novas instalações, nos meses quentes;

2. Notar a existência de seus resíduos fecais (minúsculos grãos secos <1mm), normalmente saídos de galerias já lotadas;

3. Perceber som “oco” ao bater em madeiras atacadas.

Saiba-se, porém, que estas lamentáveis constatações ocorrem após muitos anos de infestação. Em alguns casos, décadas transcorrem sem a confirmação da existência dos cupins.

Muitos produtos são divulgados como cupinicidas exterminadores. Mas embora suas formulações sejam adequadas (sejam pós, líquidos ou gases), torna-se impossível o contato com os cupins, devido aos bloqueios que eles constroem nos imensos e inacessíveis labirintos.

Às tais dificuldades, acrescente-se a “inteligência” construtiva deles; executando túneis, desviando orifícios ou encaixes, evitando atingir superfícies,...para não deixar sinais visíveis. Embora cegos e surdos, supõe-se que possuem sensores à luz e ao som, para evitarem proximidades que possam denunciá-los. Mesmo os seus excrementos, só são liberados ao exterior muitos anos após a instalação, quando os depósitos internam não mais comportam.

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Interior de tampo de máquina de costurar seriamente atacado por cupins

 

Evitam-se novas incursões, aplicando produtos líquidos (cupinicidas) sobre as superfícies, após a certeza de ainda não estarem infectadas.

O combate efetivo e satisfatório só ocorre quando alteradas suas condições mínimas de sobrevivência. E, como os limites suportáveis de temperatura, situam-se entre os -5ºC e os 70ºC (cinco graus negativos e setenta graus positivos), dependendo das dimensões das peças, a colocação de peças pequenas em forno (microondas é ótimo), por uma hora ou partes grandes em freezer (câmara frigorífica), por uma semana, são indicações com resultados comprovados.

Constatamos aglomerações com centenas de térmitas soldados mortos, cobrindo a rainha e ninfas, na tentativa de preservar-lhes o calor necessário para sobrevivência, após submeter uma peça antiga a uma semana em freezer (-18ºC).

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