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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Nobres Silfos Vadios - Publicação 18

Nesta postagem, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), declina do frio âmbito da interpretação ferramental e mecanicista, passando a navegar por um mar mais poético, entre as tangíveis falésias do conhecimento e os místicos e etéreos horizontes. Apenas uma tardia e adocicada pausa entre as tantas anteriores sóbrias publicações.

“É vedada a utilização de quaisquer informações aqui contidas, para fins lucrativos ou comerciais, sem autorização expressa de seu curador, sob pena de indenização judicial.”


Historicamente, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar, iniciou como todos os acervos particulares: com uma peça, depois outra e mais outra...

 
 
Cinco décadas acervaram mais de um século

Hoje, com mais de duas centenas de máquinas de costurar, registrado no MinC, é um sólido banco de dados da evolução mecânica e integração social deste importantíssimo ferramental no desenvolvimento humano.

 
A tangibilidade da história mecânica

Neste acervo de antiguidades, tenho mais que a tangível apresentação de um dinâmico e exaustivo trabalho em centenas de históricas peças: uma dedicação insistente de mais de meio século, no tempo que justificou grande parte de minha própria existência.

 
Mais de um século se faz presente

Significa-me algo como a eternidade. A qual, como a continuidade da imagem presente daqueles notáveis humanos, agora já etéreos, desde os que projetaram e construiram, até os que tanto manipularam tais objetos. Suas vivas mãos, seus músculos e pele, marcaram e gastaram os rígidos materiais que os compõem. Encontraremos ainda restos de suas mãos nos botões e manoplas das máquinas de costurar, escrever, moer,...

 
Um relato atual do pretérito exposto

E também elas peças, parecem manifestar um patente e curioso humor... Por vezes recusam-se a serem consertadas. Encravam seus parafusos, emperram suas engrenagens, suas madeiras atraem térmitas cupins, rompem-se, deixam-se cair... Outras vezes, ao contrário, oferecem-se emitindo sons rangidos, reflexos de luz,... Vivem seus instantes de agudas crises depressivas, ou momentos de alegria e prazer, tentando aos seus modos, as mais inacreditáveis demonstrações de existência.

 
 Sonoramente, rompem-se marcando suas presenças

Sinto nelas, as presenças de seus passados usuários, em constante e silenciosa miragem. Descem dos céus, por talvez saudades de seus caseiros objetos, no silêncio das noites escuras, e vem aqui costurar suas vestes de nada…

 
A época da maestria das mãos

...ou soprar as vagas brasas dos frios ferros de passar, moer fantasiosos grãos de café torrado, fazer quirera de milho para alimentar pintos ausentes.

 
Convertia sementes em quirera

Pé ante pé, silenciosamente na madrugada fria, chega o Major, meu saudoso pai. Em augusto segredo, sem o menor ruído e com muita delicadeza, toma a sua antiga e reluzente espada, desembainha-a e afaga-a como a um manhoso gato. Lustra-a e, satisfeita a saudade, guarda-a no lugar. Algumas vezes esquece-a sobre a mesa, distraído a observar, na miscelânea da parede, o relógio da vida de alfaiate, de seu pai.

 
Os tempos dos Ford T, Melindrosas, Einstein…

Distraídos, quiçá como eram em vida, por vezes marcam suas estadas: dão corda nos relógios de parede, esquecem armários abertos, mudam coisas de lugar...

Outras vezes, reúnem-se ao coincidente acaso, várias fantasmagóricas criaturas. Descem e voltam ao nosso mundo para contar causos, lembrar histórias em graves sussurros e dissimulados sorrisos, em efêmeras e merecidas ausências celestes. Ou até, em negligente ousadia, correndo o risco de flagrados serem, ao me acordar por um ruído, beijam os meus sonhos, no adormecido filho vivo.

 
Uma manifesta consagração divina

Abençoam os “sonos” da vida e, sem rufar de asas, voltam contentes ao mesmo celestial silêncio dos céus.
Enfim, são eles os proprietários. Eu, apenas efêmero depositário e fiel guardião.

 
Mortal e devotado guardião

Eles continuam donos perpétuos de suas coisas. Sempre usufruiram seus estimados objetos, seus pertences... Sempre viverão suas peças. E eu os vejo nelas.

“Diariamente, praticarei o bem, em toda a sua extensão e por apenas um dia. Afinal, eu me desanimaria se pensasse em praticá-lo por toda a minha vida.” (13º Mandamento da Serenidade)

(Darlou D’Arisbo / excertos das memórias históricas escrito em 22 de março de 1986) 
 
Prof. Darlou D'Arisbo
08 de janeiro de 2014 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Muller - Duas Indústrias Publicação 15

Nesta publicação, nosso Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), apresenta as consagradas indústrias alemãs “Muller”, uma síntese de suas histórias e algumas peças por nós restauradas e acervadas. 

Na Alemanha do século XIX, havia duas indústrias Muller. Uma delas, fundada por Friedrich Wilhelm Muller (Berlim, 1868) iniciou fabricando peças para máquinas de costurar, abastecendo a fábrica de Nikolaus Durkopp, em Bielefeld. 

A Muller de Berlim

Em 1888, Muller dedicou-se exclusivamente à fabricar máquinas de brinquedo, com produção até 1970.


Muller infantil 1898 (acervo do autor) não necessitou restauro, 
ainda revela florais dourados impressos na base

Inicialmente produzidas em ferro fundido (aço de baixa resistência), depois em chapa de aço (flandres), as máquinas de brinquedo venderam milhões em todo o mundo.

As maquininhas utilizavam “ponto cadeia” com um inferior gancho rotativo (ponto posterior laçava o anterior), cujo sistema foi apelidado de “Bird of Paradise”. 

A próspera indústria produziu também variada linha de instrumentos, desde delicados abridores de cartas até pesados cofres.

 
Muller infantis (modelos 1900 a 1939)
 
Após a 1ª Grande Guerra, a fábrica foi assumida por Kurt Pacully, seu parente e, com grande impulso, exportou 250.000 maquininhas por ano para os Estados Unidos.

 
Muller mod.14 (acervo do autor)

Em 1955, a então Pacully-Muller produziu milhares de pequenas máquinas elétricas (à pilha), com iluminação e controle por pedal, bastante semelhantes às “adultas”.


Propaganda da época
 
Cerca de 80% da produção era exportada e amparada por colorida propaganda orientada para meninas, despertando nelas, de maneira agradável, a produção de vestimentas para as bonecas.

A empresa fechou em 1970, incapaz de competir com os preços dos brinquedos japoneses.

A outra indústria (Dresden) 

A outra empresa era a Clemens Muller, de Dresden, a primeira fábrica alemã de máquinas de costurar, iniciada em 1855. Como já citado na “Publicação 6” deste blog (vide “Acervo”), a empresa tornou-se indústria após 1870 (data oficial de fundação) com a associação de L.O. Dietrich, G. Winselmann, e H. Kohler, todos depois fabricantes de suas próprias marcas (dentre elas: Vesta, Titan e Kohler).

Em 1875, foram produzidas mais de 100.000 máquinas, incluindo modelos industriais. Este número aumentou para 200.000 em 1880 e, em 1930 a produção chegou a quase 3 milhões de máquinas. Após a 2ª Guerra Mundial a empresa foi renomeada VEB Máquinas de Escrever e Costurar, com administração inglesa.

 
Indústria Clemens Muller em Dresden, 1910 (www.sewalot.com)

Clemens, interessado no crescente desenvolvimento mecânico americano, em 1887, enviou seu filho Ferdinand para os Estados Unidos, para observar novos sistemas e aplicá-los na próspera indústria.

 
Clemens Muller 1887 (nº 622.504), adquirida em Ijuí/RS, em deplorável estado. 
Após três anos de árduo restauro foi incorporada ao acervo do MAMC.


Clemens Muller 1888 (nº 672.398), adquirida em Porto Alegre/RS, 
também restaurada e acervada.
 
Até 1889 as máquinas eram fabricadas em ferro fundido, incluindo a base, sempre com desenhos florais ou zoomorfos, em relevo. 

Em 1888, Ferdinand Clemens assumiu a empresa, mantendo o nome do pai, produzindo também máquinas de escrever, a partir de 1910.

Clemens Muller, fabricada em 1884 (nº 689.073), adquirida como sucata em Bento Gonçalves/RS em 1978, acervada em 2012, após árduo e histórico restauro de décadas, relatado na Publicação 13 (“Clemence”)  
 
 
Clemens Muller (nº 2.754.172), adquirida em P. Alegre/RS, restaurada, manteve o curioso volante recomposto com rebites em chapa de aço e a manopla executada em chifre torneado. Certamente teve seus raios quebrados há muitas décadas.

A partir de 1890, a indústria passou a utilizar dezenas de marcas em diversos idiomas, com a intenção de exportar para vários países. Assim, a “La Reina”, com o sugestivo nome e esmerada qualidade (algumas com madrepérola incrustrada) foi sucesso de vendas na Espanha e países de língua espanhola.

Com esta intenção, a Clemens Muller, produziu mais de 60 marcas de máquinas de costurar, das quais resgatamos:


É conveniente ilustrar que, no intuito de atender (compelir) o mercado da promissora América do Sul, outros fabricantes alemães colocaram nomes curiosos em suas máquinas de costurar (as falhas ortográficas são originais): “Aligeira, Carioca, Carissima, Carmen, Cinderella, Filinha, Formidable, La Blanca Mejorada, La Graciosa Chilena, Reina del Chile, Nunca Dorminos, Senorita, Tangos, Vencedora,…” foram máquinas importadas pela América Latina entre 1890 e 1920.

Nosso “Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar” (MAMC) possui cerca de 30 Clemens Muller, algumas ainda em restauro, todas com alguma diferença (dimensão, formato, base, sistema,..). O resgate desta história excede ao simples relato de seus acontecimentos. Consiste sim na tangibilidade de suas obras, ao preservar suas máquinas e disponibilizá-las aos nossos fisiológicos sentidos.

Distintamente de mero relato, assim podemos contemplá-las visualmente, tal como quando em operação; apalpá-las, tateando suas formas e relevos; ouvi-las ronronando a funcionar contentes, emocionarmos ao presenciar o fruto vivo desta prodigiosa invenção secular.

Ressuscitadas, superaram a idade de qualquer humano, estas sesquicentenárias anciãs, passam a reinar, barulhentas, imponentes e majestosas.



“A preservação consiste em muito mais do que apenas uma lembrança de fatos, ações ou coisas. Significa sim, uma doce e agradável viagem para um mundo intemporal, onde a vida se perpetua na presença de objetos que fizeram parte da existência de pessoas que já se foram...

Não seria exagero afirmar que a memória histórica é um universo mágico, onde se perde o peso, ao levitar nas tantas informações transmitidas pelas peças de um querido acervo 
 
Prof. Darlou D'Arisbo
22 de janeiro de 2013 
 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Calços e Percalços do Colecionador – Publicação 11

O Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC) é um acervo particular e privado, registrado no Ministério da Cultura, que desenvolve pesquisa e preservação deste importante instrumento.

Nesta 11ª publicação, um inesperável relato episódico:

Retornando de viagem ao Chile e Argentina, com nosso motor home (www.felizmotorhome.blogspot.com), chegamos à sedutora Buenos Aires, a tempo de visitar a consagrada Feira de San Telmo (domingos, na Calle Defensa), onde ávidos garimpeiros encontram miríades de antiguidades.


Realmente, a colossal feira é indescritível pela quantidade e fantástica pela variedade, com bancas distribuídas em dez quarteirões pela rua ou em galerias. Porém, infelizmente, os preços acompanham a recente escalada inflacionária da Argentina.



Mas estes admiráveis detalhes compõem história para outro conto.

A competência deste relato reside a partir da aquisição de duas maquininhas infantis de costurar. Completas, dignas de compor nosso acervamento, embora carentes de parcial restauro. Fabricadas entre 1950 e 1960, com mecanismo metálico (ressalve-se: METÁLICO).



Embrulhadas em sacos plásticos e metidas num sacolão, juntamente com casacos, água, biscoitos,... com o qual seguimos nosso passeio à pé pelo centro histórico daquela capital. 
E, com o sacolão alçado no ombro, fomos já à tarde, visitar outros interesses próximos: museus, igrejas, ... 
Como o Palácio do Governo (a bela Casa Rosada), estava aberto à visitação, lá fomos contentes invadir os íntimos de trabalho da presidente Cristina.


A visitação é gratuita e disponível à qualquer turista que se submeta às longas filas e às aguardadas papeletas coloridas de senha.
E sem maiores dificuldades, ao adentrar ao palácio, passamos pelos detectores de metal, e o sacolão por uma esteira de Raio X, tal como nos aeroportos.
Mas nossa ingênua tranquilidade foi quebrada, pois que uma breve e surpreendente exclamação do taciturno agente fiscalizador, de olho no monitor, rompeu o silencio palaciano, seguida de sonora gargalhada:

“Yo pensé yá ter visto de todo en la tele, mas isto yo nunca he visto, mirem, maquinas de coser chicas !, que cosas vemos acá! ”

A partir do episódio, ficamos famosos, assuntados pela guarda presidencial, ao percorrer os meandros da Casa Rosada, com duas maquininhas de costurar num sacolão ao ombro. 


Esta súbita tangibilidade do invisível, revela mais uma inusitada face, um pontual e hilariante ato, dos tantos que colorem o nobre ato de colecionar e o fascínio da descoberta em cada busca.

As viagens abrigam investigação e pesquisa, elas nos aperfeiçoam: adicionam novos caminhos, alegrias, sabedorias, novidades, amigos, histórias e estórias. Levam-nos ao passado, ao presente e ao futuro. Alimentam o doce viço da alma. Impulsionam e resumem o motivo do árduo e fascinante deslocamento.

“O imenso prazer da chegada curva-se perante a majestade do percurso”.

Prof. Darlou D'Arisbo
15 de maio de 2012


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Inacreditável “Vô Angelo” - Publicação 07

Em novembro de 2011 recebemos um telefonema de uma jornalista de Florianópolis
-SC, informando sobre um colecionador de máquinas de costurar em Concórdia-SC.
Considerando que ele possuiria 600 máquinas e, dotados de augusta curiosidade, fomos visitá-lo.

Realmente,é fantástica sua imensa coleção de máquinas de costurar, porém ainda mais extraordinária é sua disposição e vitalidade, pois com 96 anos de idade, demonstra ótimaagilidade física, exemplar lucidez e muito entusiasmo nas atividades de conserto, manutenção e restauro. Seu evidente raciocínio lógico, comprovado no conhecimento mecânico e destreza manual, étambém invulgar para alguém com quase um século de vida.



De estatura pequena, magro, declara que o segredo “é manter-se ativo e feliz. E cantar. Viver cantando.. em italiano”.
Dentre tantas atividades, foi pedreiro por décadas e mais de 15 anos como regente de um coral. Aprendeu tocar sozinho acordeão e violão.

Informou-nos que uma filha reside ao lado, mas ele prefere morar só. Sua imensa coleção iniciou há alguns anos, quando sua esposa faleceu e deixou-lhe duas máquinas. A partir daí, adquiriu algumas e ganhou muitas.



Em sua maioria (quase totalidade), são máquinas fabricadas após os anos 60. Algumas mais antigas são apresentadas em destaque.
Todas estão numeradas, com plaquetas de alumínio, impressas em baixo relevo. Não há descrição detalhada de cada peça, ou relação editada.

Muitas máquinas que eram originariamente a pedal, ele adapta uma base de madeira (caixinha), para integrarem o conjunto nas muitas prateleiras.



E, para não sujarem com poeiras, está providenciando capas de tecido para cobri-las, o que apresenta um aspecto colorido ao acervo.



Para a manutenção, conserto e restauro, possui uma elogiável e organizada oficina, com estoque de peças usadas e ferramentas necessárias. Dezenas de máquinas estão na oficina, onde ele costuma permanecer até nas madrugadas para consertá-las, adaptando ou inventando peças.

Enfim, fomos conhecer uma grande coleção de máquinas de costurar e deslumbramo-nos com a existência do “Vô Ângelo”. Sua secular história de vida, uma augusta e surpreendente dedicação à preservação daquelas peças, assim como sua ímpar energia, vitalidade e inacreditável memória excedem as elogiáveis qualidades de um mero humano, demonstram sim um compêndio histórico, interativo, ambulante e disponível.



“Vô Ângelo”, você é a personificação de uma bênção divina, presente, viva e compactada em seu franzino e alegre corpo.

Até a próxima.

31 de janeiro de 2012
Prof. Darlou D’Arisbo

sábado, 23 de julho de 2011

Acervo – Publicação 4

O Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC) é um acervo particular e privado, com mais de duas centenas destes importantes instrumentos mecânicos.

Nesta publicação são apresentadas algumas máquinas do acervo, com considerações peculiares e identificação de número de fabricação.


Clemens Muller (nº 565.660, acervo do autor)

A indústria Clemens Müller, em Dresden, Alemanha, fundada em 1870, tinha como sócios: L.O. Dietrich, G. Winselmann, e H. Kohler, todos depois fabricantes de suas próprias marcas (respectivamente: Vesta, Titan e Kohler).
A Clemens Müller foi a primeira indústria de máquinas de costurar da Alemanha (Dresden), iniciando a produção em 1855.
Em 1875, produziu mais de 100.000 máquinas, incluindo modelos industriais. Este número aumentou para 200.000 em 1880 e, em 1930 a produção chegou a quase 3 milhões de máquinas.  Após a 2ª Guerra Mundial a empresa foi renomeada VEB Máquinas de Escrever e Costurar.
Nosso museu possui três dezenas de máquinas manuais Clemens Müller, todas com alguma diferença (dimensão, formato, base, sistema mecânico,..).

 
Vestazinha (nº 1.644.317, acervo do autor) 

Vesta (deusa romana do fogo sagrado) era fabricada pela LOD (L. O. Dietrich) em Altemburg, Alemanha. Possuimos 16 máquinas manuais Vesta, de diferentes modelos, desde as robustas Dietrich Vesta, até as pequenas “Vestazinha” exclusivas para países de língua portuguesa. A empresa foi formada em 1880, passando a produzir exclusivamente armas na segunda guerra, sendo fechada pelo exército russo em 1946.


Jones Family CS (nº R 604.087, acervo do autor)

Máquina adquirida sem uso (em 1982), de um viúvo, o qual informou tê-la guardado por muitas décadas, após o falecimento da esposa.
A Jones Sewing Machine Co. foi fundada em 1860 por William Jones e Thomas Chadwick, Inglaterra.


O modelo Family CS foi elaborado especialmente para fornecimento à “Sua Majestade a Rainha Alexandra”, entre 1914 e 1920. 


O adesivo da empresa vendedora “B. LAUXEN & CIA – Importadores – Carasinho – R. G. do Sul” comprova sua legitimidade, nunca usada.

 
Noiva (nº 1.526.296 c/ estojo, acervo do autor)
 
O nome “Noiva” era exclusivo de exportação para o Brasil. Fabricada pela Dürkopp-Werke AG. Em outubro de 1867, Nicolaus Dürkopp associou-se com Carl Schmidt, para fundar a Dürkopp & Schmidt fábrica de máquinas de costura. Após 1899 passou a fabricar automóveis.


Singer New Family, 1897 (nº 14.845.650, acervo do autor)
Adquirida em S.Brás do Suaçui - MG, depois restaurada e acervada.



Rhenania 1886 (nº 82.565, acervo do autor)

Fabricada pela “Mes Werdt” em Saalfeld- Rudolstadt, Alemanha. Adquirida em Bento Gonçalves - RS em 1980.


Winselman (nº 2.008.487, acervo do autor)

Em 1892, G. Winselmann renunciou à sociedade na Clemens Müller, formando a sua própria empresa: Winselmann Nahmaschin, também em Altenburg, Saschen, Alemanha.


Willcox & Gibbs 1870 (nº 145.336, acervo do autor)


Detalhe da biela com articulação superior esférica, 
sistema revolucionário para a época.

Willcox & Gibbs, dentre outras inovações, patentearam o ponto em cadeia em 1857, cujo modelo de máquina popular foi sucesso, fabricado por décadas.  Citado na "Publicação 2".

O Museu das Antigas Máquinas Manuais de Costurar, além do acervo próprio, possui oficina de restauro e desenvolve pesquisa sobre a evolução destes instrumentos mecânicos. 

Prof. Darlou D'Arisbo
23 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Identificação do Museu - Publicação I

O Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC) é um acervo particular e privado, que desenvolve pesquisa na evolução mecânica e social deste importante instrumento mecânico, com abrangência no intervalo entre 1850 e 1950.

O museu integra o Cadastro do Ministério da Cultura (Of 191/11 NuCNM / SGSIM / IBRAM ), com acervo exposto de duas centenas de antigas máquinas. Possui reserva técnica, oficina de restauro e manutenção.


Parte do acervo

O Colecionador

Darlou D'Arisbo, professor de Ergonomia e Antropometria, neto de alfaiate (imigrante italiano), teve nas máquinas costurar do avô a inspiração por estes instrumentos mecânicos, iniciando a coleção em 1972, em Porto Alegre/RS e sediado em Toledo/PR desde 1974.

Como docente universitário, teve a oportunidade de desenvolver Projeto de Pesquisa sobre a evolução histórica, mecânica e social da máquina de costurar.

A Importância da Máquina de Costurar na História

A origem do ato de costurar antecede aos registros expressos e as mais antigas proposições referem-se ao recente encontro de pré-históricas agulhas de ossos, com orifícios. Sua idade foi estimada em mais de 20.000 anos (última Era de Gelo) e eram usadas para coser peles de animais.

Há alguns anos, em München, Alemanha, foram encontradas agulhas de ferro, datadas do século III aC.

Na tumba de membro da Dinastia Ahm (China 202 aC), foi encontrado um jogo de costura completo, incluindo um dedal metálico (dispositivo para empurrar agulhas em peles de animal, protegendo os dedos).

A primeira patente de máquina de costurar foi registrada pelo inventor britânico Thomas Saint, em 1790, embora o mecanismo nunca tenha sido desenvolvido, considerado inexequível e, seria exclusivo para costurar couro.

A difícil tarefa de costurar roupas era destinada às mulheres e, com o advento do precioso equipamento, este trabalho tornou-se menos penoso, mais agradável e rápido. Além disso, o vestuário ganhou qualidade, diversificação e, importante: socializou a indumentária num enfoque estético. Costurar passou integrar mais a arte que o trabalho.


Bens da família (Nebraska,1888): filhos (vestimentas),
residência, cavalos e a máquina de costurar

Alguns estudiosos citam que "a máquina de costura aumentou os guarda-roupas, tornou possível a produção em massa de inúmeros produtos e emancipou mulheres de todos os países, como nada mais o fez na história."


Família alemã apresenta seus dons: música e costura (1890)

A máquina de costurar foi uma invenção fantástica para a humanidade e trouxe idéias inovadoras no domínio técnico, mecânico, econômico, social, estético e comercial. E, assim como o seu posterior desenvolvimento, não pode ser atribuída a uma só pessoa, uma vez que muitos adaptaram e aperfeiçoaram os sistemas, patenteando soluções parciais, seja na concepção mecânica, campanhas de divulgação, métodos de venda, configuração estética de resultados...

Até meados dos anos 1800, a roupa era feita à mão e as famílias costuravam suas roupas: calças, camisas, vestidos,… usando agulha e linha. A indústria da máquina de costurar tornou possível a produção em massa de roupas em uma escala muito maior do que nunca teria sido possível com a costura à mão.

Da avalanche de registros de patentes que se verificaram a partir de 1830, salientam-se dois nomes: o de Barthélémy Thimonnier (mecânico e alfaiate francês, nascido em 1793 - Abresle, falecido em 1859 - Amplepois), o primeiro a registrar uma máquina e tido como o inventor da máquina de costurar, e o de Isaac Merritt Singer (norte americano, nascido em 1811 - Pittstown, falecido em 1875 - Torquay)

Singer aperfeiçoou a máquina de costurar, com base em inúmeras patentes de outros inventores, fundando em NY a fábrica SMC (1853) realizando o sonho progressista de Thimonnier, colocando este utensílio criativo ao alcance de todas as classes de renda, incluindo um revolucionário método de arrendamento (leasing), democratizando assim sua utilização em rede mundial de vendas.

O estampado júbilo de costurar (Suiça 1949)
 
Desta maneira, nosso museu assume a nobre responsabilidade de transmitir informações pertinentes á pesquisa e restauro destes importantíssimos e históricos instrumentos mecânicos, atraves de publicações agora iniciadas.
 
 12 de julho de 2011
Prof. Darlou D'Arisbo