terça-feira, 30 de junho de 2026

Pequena raridade - Postagem 48

A rara Crystal de 1960:

Como já citado em publicações anteriores, estes brinquedos infantis, excediam sua finalidade meramente lúdica, pois que incentivavam as meninas crianças a expandir a imaginação, aprimorando o prazer de construir obras tangíveis e úteis, assim como roupinhas para as bonecas, outras realizações úteis e preparando sua destreza e concentração para atividades de quando adultas.


Gravura da época

Infelizmente, na atualidade, tais atributos cederam lugar para entretenimentos virtuais, comprometendo até atividades inerentes ao desenvolvimento natural das habilidades motoras e cognitivas.


Mãe incentivando a filha (1950)

O motivo desta postagem – restauro de uma Crystal - cujo outra similar encontra-se no Imca Museum (Neverland), justifica-se pela raridade desta, preservada por meio século ainda com a embalagem, pois foi fabricada na década de 1960, conforme registro daquela instituição.


Ficha da máquininha no Inca Museum

Esta maquininha, foi adquirida através de site de vendas. Mas como é comum ocorrer, as imagens apresentadas não condizem com a realidade, embora o vendedor tenha afirmado que “não sabia se funcionava”, revelando seu bom limite de confiabilidade.
E, considerando tratar-se de uma raridade que ainda mantinha sua embalagem aparentemente completa, resolvi adquirir.
Dias após, recebi e iniciei a desmontagem, observando que a parte mecânica estava completa, porém com engrenagens oxidadas. O sistema elétrico inoperante e inutilizado. O motorzinho foi desmontado, tendo polimento no coletor e limpeza geral.


Foto já concluida

Todos os fios foram substituídos e instalado novo interruptor na base da máquina. Foi implantado uma tomada (plug fêmea) para ligação em fonte 3V, substituindo as pilhas e seu suporte, irrecuperável e comprometido pelo vazamento delas.


Interruptor e tomada para operar com fonte 3V

O arcabouço da máquina possui a parte inferior metálica em cor salmão e a superior plástica beje. O conjunto dispõe de um anexo acoplável, prolongamento da base, para ampliar e facilitar os trabalhos. Todo este conjunto apresentava-se em perfeito estado, necessitando apenas limpeza e polimento.
 
Como as demais maquininhas infantis, esta costurava com ponto em cadeia (um só fio), onde cada lance “fisgava” o anterior, produzindo a sequência.
Dispõe também de regulador de tensão, alavanca que estica a linha a cada ponto, que foram polidos e reinstalados.


Com a embalagem recuperada

A embalagem original, em papel ondulado entre duas lâminas lisas estava profusamente comprometida em suas paredes, com várias dobras e rasgos supostamente sujeita a umidade por muitos anos. Foi recomposta com partes de papel Kraft e adesivo vinílico.


Acervada, compondo o conjunto de uma centena delas

Após montagem, regulagem e retoques finais, foi instalado carretel (executado com duas arruelas e canudo metálico) e preenchido com linha em cor harmonizando com o conjunto. Comprovado o seu sonoro e característico funcionamento, foi incorporada ao nosso museu.

Prof. Darlou D'Arisbo
30 de junho de 2026


















sábado, 7 de março de 2026

Uma centenária ressuscitada - Postagem 47

Depois de quase oito meses sem postagens sobre o nosso Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar, publico este restauro realizado em nossa oficina.
 
Adquiri através de um site de compras, uma máquina antiga, sem identificação ou histórico. E, ao recebê-la, desacreditei na possibilidade de restauro, pois aparentava péssimo estado, imunda, com várias camadas de pintura aplicadas sobre sujidades e ferrugem.


Foto no site de vendas

Possuía ainda alguns adesivos grosseiros e, sobre todo o conjunto, uma camada de verniz toscamente aplicado. Mas consegui identificá-la como a alemã Clemens Muller, embora sua plaqueta estivesse irreconhecível, plenamente coberta.


Mecânica inferior íntegra, mas muito suja

Depois de retirar a base de madeira, aspergi querosene na parte mecânica inferior e observei que estava completa e não foi difícil conseguir girar aquele conjunto motriz..


Inicio da desmontagem

A parte superior, seriamente comprometida pelas citadas abundantes camadas, obrigou a sucessivas raspagens mecânicas, sem a menor possibilidade de manter sequer partes de sua pintura de fábrica.
Após, iniciei o desmonte, surpreendentemente sem muita dificuldade, pois seu conteúdo estava quase completo e os parafusos ainda originais, exigiram apenas paciência para serem retirados, embora vários faltantes.



A exemplo da fronte (foto com parte quase limpa), todo o conjunto mereceu várias aplicações de solventes e raspagens, para poder visualizar (encontrar) os parafusos.


Rebobinador em lamentável estado

O rebobinador, composto de várias partes antes móveis, estava emperrado e exigiu um empenho detalhista para não comprometer o seu complexo e diminuto sistema mecânico ou até romper alguma pequena e importante parte.


Acidente com o volante

Obviamente, ainda que todos os anjos bons me acompanhem, proporcionando um trabalho cauteloso e proficiente, por vezes surge o Leprechaun, o duende invisível e travesso, cujo prazer é comprometer alguma ação.

E não foi diferente, pois ao tentar retirar o emperrado eixo do volante, fez-me quebrar parte de seu envoltório no volante. E como o material é de aço de baixa têmpera (dito ferro fundido), a solda seria impraticável. Mas consegui retirar o eixo, tornear as rebarbas resultantes da quebra, girando a contento.


O eixo, na foto já polido

Após detalhada observação, concluí que o eixo (já oxidado) havia sido refeito, com uma excentricidade que não permitiria passar pelo centro do volante. Assim, teriam executado a peça sem a “cabeça”, ou seja, enfiada a excentricidade no bloco e depois o volante no outro extremo, com uma suposta porca, para evitar sua soltura. Porém, com o uso da máquina, gastaram os filetes da rosca e a porca adentrou e afixou-se na corrosão do eixo. Falha minha em não ter observado anteriormente...


A frágil plaqueta com o logotipo, antes camuflada pelas camadas de tinta, agora recuperada.


O serial, impresso no bloco

Consegui descobrir seu número de fabricação (1.655.273), após muitos lixamentos com alta granulometria (400 e 1000 g/pol). Desta maneira pude avaliar sua idade, aplicando uma interpolação entre os seriais de outras Clemens Muller de meu acervo, tendo sido fabricada ao redor de 1920, em Dresden, capital da Saxonia, leste da Alemanha.


Frágil, pronta a despedaçar.

Sua base de madeira, originalmente composta por seis partes, possuía fraturas várias, além de malfeitos remendos, foi desmontada em uma dezena de pedaços.


Pregos gigantescos para a função

Não contei, mas cerca de uma centena de pregos, sem sucesso, tentavam em vão manter sua frágil estabilidade. Apenas numa lateral, retirei 15 pregos de variadas dimensões.


Havia até a descabida inserção (a martelo) de um parafuso!


Orifícios da lâmina inferior, antes e durante os preenchimentos

A lâmina inferior da base (madeira esbelta) possuía mais 17 pregos, e muitos orifícios causados por restos de antigos pregos ou insetos.

E, assim como toda a estrutura de madeira, também estava fragilizada, necessitando muitos reparos e preenchimentos.


Assim como todas as partes, rebobinador e fronte, instalados e funcionando

Enfim, depois de muito trabalho nas “horas vagas” (e insônias), em mais de um mês, o conjunto foi montado, com vários parafusos “novos”, oriundos de máquinas doadoras, e peças, como a tampa posterior da lançadeira; “patinha” calcadora, regulador de ponto e tantos outros.


Executando a manopla no torno 

A manopla foi torneada a partir de um cabo de vassoura; os pinos suportes da linha, de pregos adaptados,...

Obviamente, algumas peças pequenas foram preenchidas com massa epóxi (Durepoxi) para seu melhor encaixe e outras afixadas com resina (Araldite). Certamente, em melhores condições técnicas e com disponibilidade de peças, o sucesso teria sido melhor a esta vetusta alemã com 105 anos de existência, um quarto de século a mais do que este humilde restaurador.




Exultante, a velha alemã, com 105 anos, em pose fotográfica.

Nesta oportunidade, desejo agradecer aos 299.371 entidades de todo o mundo, que acessaram virtualmente o nosso museu e, especialmente aos nobres Professores Doutores da Universidade de Granada – Espanha e da Universidad Nacional del Sur - Argentina, que nos honraram com suas dignas visitas presenciais. 
A eles, a gratidão pelo reconhecimento de nosso trabalho de quatro décadas na preservação de tão importante instrumento na evolução tecnológica da humanidade.

Agradecimento relevante ao Prof. Dr. György Tóth, pelo seu agradável comentário (22/06/2026) da University of Stirling - Scotland - UK

IMPORTANTE:
Ao postar comentário, por favor identifique-se, pois  
tenho recebido muitos anônimos, o que impede o registro

Prof. Darlou D'Arisbo
 07 de março de 2026

sexta-feira, 27 de junho de 2025

A VESTA (Leopold Oskar Dietrich) - Publicação 46

Em 1 de julho de 1871, três serralheiros: Leopold Oskar Dietrich, Hermann Köhler e Gustav Winselmann, que anteriormente trabalhavam na indústria Clemens Muller, fundaram uma oficina para a produção de máquinas de costura em Altenburg (Turíngia Alemanha), sob o nome Dietrich & Co. tendo produzido trezentas até o final do mesmo ano.
Em 1880, resolveram separar e cada um construir a própria empresa. L.O. Dietrich construiu um novo e amplo prédio, permitindo aumentar a produção de sua máquina Vesta (deusa romana do fogo sagrado), já com 1.500 empregados em 1890.

Efígie da deusa Vesta na moeda romana 
 
O sucesso de vendas resultou em abertura de escritório em Londres para expandir o mercado ao mundo. Após falecer, (setembro de 1904), o filho assumiu o empreendimento e, em 1936 suas máquinas de costurar eram consideradas as mundialmente famosas. Porém, durante a IIª Guerra, a indústria passou a produzir material bélico, foi parcialmente destruída pelos Aliados e tomada pela Rússia, como reparação de guerra.


Modelos da Vesta em 1936

Nosso museu, dentre centenas de outras, possui 16 máquinas manuais Vesta, de diferentes modelos, desde as robustas Dietrich Vesta, até as pequenas “Vestazinha”, estas exclusivas para países de língua portuguesa. Algumas marcas, como Sylvia e Mercedes, foram encontradas impressas nas máquinas Vesta, em alguns países.


Propaganda Vesta, na época pós Vitoriana

A Vestazinha (portátil, facilmente transportável), foi fabricada entre 1910 e 1925, exclusivamente para exportação para Portugal e Brasil, com este nome.


Vestazinha (nº 1.644.317, acervo do autor)


Vesta (nº 1.754.663, acervo do autor)


As máquinas recebidas no nosso país recebiam inscrições em português...


...assim como as claras explicações citadas no Manual de Utilização, com 40 páginas.


Traziam um certificado de garantia de cinco anos, mas são eternas.


Algumas nos chegam em péssimo estado, como esta, com a tinta permeada pelos orifícios, 
comprometendo as centenas de peças móveis.


A mesma anterior, serial 1.242.229, após meses de restauro.


Encontrar peças para restauro destas preciosidades é algo extraordinário.
Mesmo as simples agulhas tem de ser importadas da República Theca.


Sucedem-se as gerações, mas as Vesta, continuam ativas
Aqui, a vovó Sandra ainda hoje (20250 operando com a Vesta de 1920.
 

Costurar é uma arte da paciência, é aprender a planejar e criar.
Traz o prazer de ser útil, de ver e sentir a obra realizada.


Vejo, porém, que este entusiástico prazer está sendo esquecido pelas novas gerações.

A costura, com o advento da máquina de costurar, foi a semente da emancipação econômica feminina.   As costureiras são esforçadas e delicadas artistas que esbanjam talento e amor através de suas obras, transformando inertes tecidos em sonhos reais e prazerosos, tecendo alegrias e colorindo com mérito a nossa realidade. 
Prof. Darlou D'Arisbo
27 de junho de 2025















segunda-feira, 23 de junho de 2025

A Saxônia (Clemens Muller) de Bom Jesus - Publicação 45

Esta publicação inicia com um enredo diferenciado dos anteriores, que tinham vocação técnica, embora não abstraíssem o caráter histórico, bases da preservação de objetos que alicerçaram a evolução de nosso presente e futuro.

Assim posto, inicio este a partir de um patamar histórico e turístico da cidade de Bom Jesus, emancipada em 1913 com o nome atual. Mas foi criada em 1878, a partir da Capela do Senhor do Bom Fim, construída por Manoel Silveira de Azevedo (dono das terras), ao voltar da Guerra com o Paraguai.
Situa-se no extremo nordeste do estado do Rio Grande do Sul (Brasil), com altitude de 1050m e possibilidade de neve no inverno (recorde de -09ºC) . Uma urbe agradável, tranquila e aconchegante.


Praça central da cidade

Ao visita-la com nosso motorhome, percorrendo sua avenida central, deparei com uma pequena e acolhedora floricultura, a qual, além de sua atividade padrão, possuía algumas antiguidades.


Graciosa floricultura

E, dentre estas peças, uma antiga máquina de costurar despertou-me interesse. Estava aparentemente completa, com base em ferro, embora suja por ali estar na prateleira há muito tempo.
Adquiri a maquininha da gentil proprietária, e segui viagem até a aprazível cidade de Gramado, onde estacionamos por alguns dias.
Mas a ansiedade venceu e, embora carente de desmonte total, iniciei uma pré limpeza, tendo a grande surpresa de descobrir uma bela decoração de madrepérola incrustadas em sua “mesa”.


Pré limpesa ainda ao lado do motorhome

A madrepérola é originalmente produzida como revestimento interno de algumas conchas, de mesmo material das pérolas, matizada e brilhante, utilizada em joias e sofisticadas decorações, graças à sua beleza e durabilidade.

Originalmente engastadas e ali preservadas por 150 anos

Estas bonitas incrustações em modelos florais, resistiram a um século e meio de manuseio e necessitaram apenas de leve polimento para, felizes, refletir o esplendor de sua época.
Alguns dias após, retornei à minha cidade (Toledo PR) onde mereceu melhor limpeza para identificá-la e avaliar a possibilidade de restauro.
Descobri que se trata de uma Saxônia (homenagem à província de mesmo nome) uma das sessenta marcas da Indústria alemã Clemens Muller, iniciada 1875, em Dresden.


Indústria Clemens Muller em 1900 (gentileza www.Sewalot.com)


A belíssima Dresden, no leste da Alemanha, às margens do rio Elba,
destruída na II Grande Guerra e fielmente reconstruída após.

Meses depois, pude desmontá-la totalmente com rigorosa limpeza de centenas de peças, uma a uma, com polimento, leve torneamento, adaptação ao conjunto, lubrificação,...


Início do desmonte, em nossa oficina de resturo (Toledo PR)

Parafusos e roscas foram cuidadosamente limpos, polidos, sendo que nenhum necessitou troca, situação animadora, pois a inexistência atual de similares roscas, exigiria delicados trabalhos com tarraxas e machos, confecção de diferentes “cabeças” de parafusos e, obviamente comprometimento da notória originalidade da máquina.


Já nos últimos capítulos da montagem, ajustando o sincronismo.

Dispositivo de preenchimento da carretilha com o sistema automático restaurado.


Fronte, com todos os detalhes em pleno funcionamento

Após montagem e ajuste do mecanismo com todas suas peças originais, realizei o teste de funcionamento, coroado de êxito.

Assim, após um exaustivo e fascinante trabalho de restauro, por meses, esta Saxônia de número 783.115, fabricada pela Clemens Muller em janeiro de 1886 é jubilosamente reanimada,


Agora, tal uma imponente majestade, ela incorpora o acervo de nosso Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar, ao lado de outra centena de lindas vetustas, das quais 40 são Clemens Muller, embora diferentes entre si. 

Prof. Darlou D'Arisbo
23 de junho de 2025










terça-feira, 2 de julho de 2024

Uma Estrelinha Franco Brasileira - Publicação 44

Muitas destas maquininhas de utilização infantil, são seculares preciosidades e foram por nós adquiridas nas feiras de rua, em vários países europeus (Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha,..) e sul-americanos. No Uruguai, destacamos a Feria de Tristán Narvaja e, na Argentina, a Feria de San Telmo, são imperdíveis.

Uma descrição mais completa destas “fontes de relíquias” pode ser obtida na Publicação 16 deste blog.

No Brasil, a maioria destas relíquias foram obtidas a partir de sites de venda. Cumpre destacar que várias maquininhas nos chegaram por gentis doações.


Nosso primeiro expositor.

Ainda que por mera curiosidade, frequentemente, busco alguma ainda ímpar nestes sites, embora seus valores tenham exorbitado nos últimos tempos. Desta maneira, há alguns dias, encontrei o motivo desta publicação sendo ofertada, mas graças à exiguidade de tempo para restaurá-la e dificuldade de espaço para guardá-la, concluí por não a adquirir, pois nossos dois expositores estão já repletos, e carecendo de um terceiro. Porém confesso que um fiapo de dúvida ainda permaneceu, comprometendo a negativa decisão.


Nosso segundo expositor

Mas, por vezes, algumas inexplicáveis e surpreendentes soluções apresentam-se, arrematando com epílogo dourado estas tênues vacilações.

Pois, uma pessoa, a quem deposito a minha maior estima, adquiriu a maquininha e, alvíssaras, anunciou presentear-me, assim que ela chegasse.


Chegou um pouco emperrada e oxidada

Em poucos dias recebi, com satisfação, o belo presente. Estava um pouco oxidada, necessitando apenas desmontagem parcial, limpeza geral, aplicação de desoxidante em alguns locais, lubrificação nas articulações e eixos, montagem e regulagem, além da inserção de algumas pecinhas faltantes.


Estampa de máquina similar (gentileza coleção Ana Caldatto)

Consegui a imagem de uma original, “Ma Cousette”, de produção francesa da década de 40 que, embora em deplorável estado, caracterizou a notável semelhança com a recebida.


A original francesa Ma Cousette

Na cópia brasileira, apenas o regulador de tensão foi suprimido, em substituição por mola sobre o carretel, como confirma um antigo manual de utilização, na época ainda desenhado a bico de pena


Antigo manual da “Estrelinha”, apresentando em “1” o regulador implantado.

Até 1930, os brinquedos infantis eram bonecas de pano e carrinhos artesanalmente construídos em madeira. Apenas as mais abastadas crianças recebiam objetos importados da Europa.

Os primeiros brinquedos brasileiros foram produzidos (certamente importados e aqui montados) pelo empresário italiano Ciccillo Matarazzo (Indústria Metalma), durante os anos 30.
E, em 1937, o alemão Siegfried Adler, também residente no Brasil, adquiriu uma pequena fábrica de bonecas de pano e ali iniciou a grande “Manufatura de Brinquedos Estrella Ltda” (depois só com um L), transformada em S.A. no ano de 1944 e reproduzindo, em convênio comercial, centenas de brinquedos oriundos dos Estados Unidos e Europa.

Desde seu início a Estrela produziu mais de 25 mil brinquedos diferentes, num total de mais de 1,2 bilhão de unidades, sendo a maior indústria da América Latina. Porém, em 2004 a empresa teve decretada a absoluta insolvência, acumulando dívidas de R$ 23,225 milhões.

E, dentre tantos, a Estrela fabricou esta relíquia, adaptando a original francesa Ma Cousette (“minha confecção”), entre os anos 50 e 60, mantendo quase todos os detalhes e componentes, incluindo a cor azul.


Nossa linda Estrelinha após leve restauro

O título desta postagem: “Uma Estrelinha Franco Brasileira”, revela um conjunto de homenagens, quais sejam: à indústria francesa que a projetou e fabricou (ainda não identificada) e ao visionário empreendedor alemão, que escolheu o Brasil para implantar a pujante indústria Estrela.

Porém, meu maior preito de gratidão é, ao Prof. Thiago D’Arisbo, ao qual tenho imenso orgulho em ser seu pai, pelo inestimável presente aqui registrado, que certamente será preservado, assim como as outras maquininhas, pelas minhas princesas netas, suas filhas.

Prof. Darlou D'Arisbo
23 de junho de 2025