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terça-feira, 11 de junho de 2013

Fontes de Relíquias - Publicação 16

“É vedada a utilização de quaisquer informações aqui contidas, para fins lucrativos ou comerciais, sem autorização expressa de seu curador, sob pena de indenização judicial.”

Nesta postagem, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), apresenta um assunto diverso da matriz temática comumente abordada, embora não fugindo do objetivo maior: as antigas máquinas de costurar. E, como alguns visitantes ao blog questionaram sobre “onde adquirir” tais antigas relíquias, decidimos publicar este, citando algumas “feiras de rua”.

Inúmeras são as cidades que dispõem deste tipo de comércio, normalmente organizado aos domingos, com ofertas de impressionante variedade de antiguidades, incluindo as maquininhas. Visitá-las, percorrendo seu emaranhado conjunto de tendas, é um exercício prazeroso e divertido.


A origem das feiras de rua, perde-se no tempo. Certamente alguns milênios antes de Cristo, com o sistema de escambo (troca de produtos).
Assim, em nossas viagens, sempre procuramos coincidir o “dia de feira” com nossa permanência nas cidades.

Além das conhecidas feiras brasileiras, o Uruguai, é um território próximo e fértil em peças antigas. Sua história é rica e, sua “Feria de Tristan Narvaja” (Montevidéu), é imensa, distribuída em cerca de quarenta quadras.


Várias outros locais uruguaios, oferecem peças antigas, incluindo automóveis e, normalmente, sempre carecendo de restauro. Os vendedores normalmente demonstram facilidade de negociação.


Alguns vendedores expõe os objetos às margens de algumas rodovias, facilitando visualização e comércio.


Na capital Argentina, a “Feria de San Telmo”, é igualmente imensa. Possui também algumas lojas em galerias, com exclusividades (luminárias, estátuas, armaduras, relógios,…)


Na Europa, em recente viagem (“felizmotorhome.blogspot.com”), visitamos muitas cidades com semelhante comércio dominical. Infelizmente, em várias, não pudemos coincidir nossa presença, com os respectivas datas de realização


As antiguidades estão integradas nos milênios da história européia e, presente também na decoração de muitos estabelecimentos comerciais. Na cidade do Porto, Portugal, um restaurante dispôs milhares de objetos antigos em suas paredes, incluindo um célebre Fiat 500!


Em Lisboa, todos os domingos, realiza-se a afamada “Feira da Ladra”, nas proximidades do Panteão.


Pequenas cidades européias também mantém a tradicional e assídua feira semanal. A cidade de Oradour sur Vayres, próxima a Limoges, oeste da França, é uma simpática exemplar.


Na renomada Bordeaux, famosa pelos seus vinhos, a feira é diária (em determinada época do ano), com tendas fixas, cada qual com peças exclusivas (relógios, tapetes, móveis, bibelôs,…). Embora os objetos sejam lindos, os preços, infelizmente, são exagerados.


Em Sintra, no extremo oeste de Portugal, visitamos o extraordinário “Museu do Brinquedo”, com mais de 60.000 peças infantís, algumas seculares. Embora não comercialize os objetos, a visita é impressionante. Evidentemente, nosso interesse maior foram as dezenas de máquininhas de costurar, lá acervadas.


O conhecimento é resultado obtido no ilimitado somatório de informações capturadas (esclarecimento, intuição, contemplação, classificação, mensuração, analogia, experimentação, empirismo,..). Nossa capacidade de armazenar informações é infinita e, sua quantidade, após analisadas, integradas e interpretadas, é proporcional ao necessário e sólido embasamento para tomada de decisões e condutas.

"Uma edição atual do “Times” contém mais informação que o mortal comum podia receber em toda a sua vida, na Inglaterra do século XVII. (Richard Saul Wurman – 1936 / )"

Prof. Darlou D’Arisbo
11 de junho de 2013

terça-feira, 15 de maio de 2012

Calços e Percalços do Colecionador – Publicação 11

O Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC) é um acervo particular e privado, registrado no Ministério da Cultura, que desenvolve pesquisa e preservação deste importante instrumento.

Nesta 11ª publicação, um inesperável relato episódico:

Retornando de viagem ao Chile e Argentina, com nosso motor home (www.felizmotorhome.blogspot.com), chegamos à sedutora Buenos Aires, a tempo de visitar a consagrada Feira de San Telmo (domingos, na Calle Defensa), onde ávidos garimpeiros encontram miríades de antiguidades.


Realmente, a colossal feira é indescritível pela quantidade e fantástica pela variedade, com bancas distribuídas em dez quarteirões pela rua ou em galerias. Porém, infelizmente, os preços acompanham a recente escalada inflacionária da Argentina.



Mas estes admiráveis detalhes compõem história para outro conto.

A competência deste relato reside a partir da aquisição de duas maquininhas infantis de costurar. Completas, dignas de compor nosso acervamento, embora carentes de parcial restauro. Fabricadas entre 1950 e 1960, com mecanismo metálico (ressalve-se: METÁLICO).



Embrulhadas em sacos plásticos e metidas num sacolão, juntamente com casacos, água, biscoitos,... com o qual seguimos nosso passeio à pé pelo centro histórico daquela capital. 
E, com o sacolão alçado no ombro, fomos já à tarde, visitar outros interesses próximos: museus, igrejas, ... 
Como o Palácio do Governo (a bela Casa Rosada), estava aberto à visitação, lá fomos contentes invadir os íntimos de trabalho da presidente Cristina.


A visitação é gratuita e disponível à qualquer turista que se submeta às longas filas e às aguardadas papeletas coloridas de senha.
E sem maiores dificuldades, ao adentrar ao palácio, passamos pelos detectores de metal, e o sacolão por uma esteira de Raio X, tal como nos aeroportos.
Mas nossa ingênua tranquilidade foi quebrada, pois que uma breve e surpreendente exclamação do taciturno agente fiscalizador, de olho no monitor, rompeu o silencio palaciano, seguida de sonora gargalhada:

“Yo pensé yá ter visto de todo en la tele, mas isto yo nunca he visto, mirem, maquinas de coser chicas !, que cosas vemos acá! ”

A partir do episódio, ficamos famosos, assuntados pela guarda presidencial, ao percorrer os meandros da Casa Rosada, com duas maquininhas de costurar num sacolão ao ombro. 


Esta súbita tangibilidade do invisível, revela mais uma inusitada face, um pontual e hilariante ato, dos tantos que colorem o nobre ato de colecionar e o fascínio da descoberta em cada busca.

As viagens abrigam investigação e pesquisa, elas nos aperfeiçoam: adicionam novos caminhos, alegrias, sabedorias, novidades, amigos, histórias e estórias. Levam-nos ao passado, ao presente e ao futuro. Alimentam o doce viço da alma. Impulsionam e resumem o motivo do árduo e fascinante deslocamento.

“O imenso prazer da chegada curva-se perante a majestade do percurso”.

Prof. Darlou D'Arisbo
15 de maio de 2012