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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Nobres Silfos Vadios - Publicação 18

Nesta postagem, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), declina do frio âmbito da interpretação ferramental e mecanicista, passando a navegar por um mar mais poético, entre as tangíveis falésias do conhecimento e os místicos e etéreos horizontes. Apenas uma tardia e adocicada pausa entre as tantas anteriores sóbrias publicações.

“É vedada a utilização de quaisquer informações aqui contidas, para fins lucrativos ou comerciais, sem autorização expressa de seu curador, sob pena de indenização judicial.”


Historicamente, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar, iniciou como todos os acervos particulares: com uma peça, depois outra e mais outra...

 
 
Cinco décadas acervaram mais de um século

Hoje, com mais de duas centenas de máquinas de costurar, registrado no MinC, é um sólido banco de dados da evolução mecânica e integração social deste importantíssimo ferramental no desenvolvimento humano.

 
A tangibilidade da história mecânica

Neste acervo de antiguidades, tenho mais que a tangível apresentação de um dinâmico e exaustivo trabalho em centenas de históricas peças: uma dedicação insistente de mais de meio século, no tempo que justificou grande parte de minha própria existência.

 
Mais de um século se faz presente

Significa-me algo como a eternidade. A qual, como a continuidade da imagem presente daqueles notáveis humanos, agora já etéreos, desde os que projetaram e construiram, até os que tanto manipularam tais objetos. Suas vivas mãos, seus músculos e pele, marcaram e gastaram os rígidos materiais que os compõem. Encontraremos ainda restos de suas mãos nos botões e manoplas das máquinas de costurar, escrever, moer,...

 
Um relato atual do pretérito exposto

E também elas peças, parecem manifestar um patente e curioso humor... Por vezes recusam-se a serem consertadas. Encravam seus parafusos, emperram suas engrenagens, suas madeiras atraem térmitas cupins, rompem-se, deixam-se cair... Outras vezes, ao contrário, oferecem-se emitindo sons rangidos, reflexos de luz,... Vivem seus instantes de agudas crises depressivas, ou momentos de alegria e prazer, tentando aos seus modos, as mais inacreditáveis demonstrações de existência.

 
 Sonoramente, rompem-se marcando suas presenças

Sinto nelas, as presenças de seus passados usuários, em constante e silenciosa miragem. Descem dos céus, por talvez saudades de seus caseiros objetos, no silêncio das noites escuras, e vem aqui costurar suas vestes de nada…

 
A época da maestria das mãos

...ou soprar as vagas brasas dos frios ferros de passar, moer fantasiosos grãos de café torrado, fazer quirera de milho para alimentar pintos ausentes.

 
Convertia sementes em quirera

Pé ante pé, silenciosamente na madrugada fria, chega o Major, meu saudoso pai. Em augusto segredo, sem o menor ruído e com muita delicadeza, toma a sua antiga e reluzente espada, desembainha-a e afaga-a como a um manhoso gato. Lustra-a e, satisfeita a saudade, guarda-a no lugar. Algumas vezes esquece-a sobre a mesa, distraído a observar, na miscelânea da parede, o relógio da vida de alfaiate, de seu pai.

 
Os tempos dos Ford T, Melindrosas, Einstein…

Distraídos, quiçá como eram em vida, por vezes marcam suas estadas: dão corda nos relógios de parede, esquecem armários abertos, mudam coisas de lugar...

Outras vezes, reúnem-se ao coincidente acaso, várias fantasmagóricas criaturas. Descem e voltam ao nosso mundo para contar causos, lembrar histórias em graves sussurros e dissimulados sorrisos, em efêmeras e merecidas ausências celestes. Ou até, em negligente ousadia, correndo o risco de flagrados serem, ao me acordar por um ruído, beijam os meus sonhos, no adormecido filho vivo.

 
Uma manifesta consagração divina

Abençoam os “sonos” da vida e, sem rufar de asas, voltam contentes ao mesmo celestial silêncio dos céus.
Enfim, são eles os proprietários. Eu, apenas efêmero depositário e fiel guardião.

 
Mortal e devotado guardião

Eles continuam donos perpétuos de suas coisas. Sempre usufruiram seus estimados objetos, seus pertences... Sempre viverão suas peças. E eu os vejo nelas.

“Diariamente, praticarei o bem, em toda a sua extensão e por apenas um dia. Afinal, eu me desanimaria se pensasse em praticá-lo por toda a minha vida.” (13º Mandamento da Serenidade)

(Darlou D’Arisbo / excertos das memórias históricas escrito em 22 de março de 1986) 
 
Prof. Darlou D'Arisbo
08 de janeiro de 2014 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Miniaturas _________________Publicação 17

O Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), particular e privado, registrado no Ministério da Cultura, desenvolve pesquisa e preservação deste importante instrumento.

Nesta 20ª publicação, considerando o razoável acervo de miniaturas (bibelôs, decorativos,..) de máquinas de costurar, apresentamos alguns espécimes conservados pelo MAMC.

Algumas publicações impressas já incluiram as miniaturas em suas páginas: “Toy and Miniature Sewing Machines – Glenda Thomas” e “Toy Sewing Machines and Miniatures – MAMC – D’Arisbo, Darlou”, dentre outros.
Distintas das maquininhas infantis (publicação anterior), as miniaturas tem função meramente decorativa, tais adornos com alusão à importância da máquina de costurar. Comumente agregavam personagens ou representações, serviam como porta objetos ou simplesmente um símbolo miniaturizado.

No sentido de identificar dimensões, colocamos em algumas fotos uma “fita métrica”, como referencial.

 
 Miniaturas muito pequenas:
 
1. Em bronze (4 x 2cm), constituída por três partes aparafusadas entre si, volante móvel, adquirida na Feira da Ladra, Lisboa
  
2. Porcelana (4,5 x 2cm), cor vinho, com detalhes dourados e gravura impressa, adquirida na Feira da Ladra, Lisboa
 
 3. Porcelana (4 x 2cm), branca com detalhes dourados, obtida em M. Cândido Rondon – PR, produção Reutter, Denkendorf – Alemanha
 
 4. Em bronze (3 x 1,5cm), recebida como prazeroso mimo de Rebeca Vaz, Piracicaba – SP

5. Porcelana (5 x 2cm), branca com detalhes dourados, doação de Denise Flessak, Cascavel – PR, fabricada em Limoges – França

 
 
Miniatura em escala 1:8 (5,5cm de comprimento), construída em aço e outros metais, utilizando minúsculas peças de variadas fontes (relógios, botões de pressão, interruptores elétricos, alfinetes, rebites, preguinhos,...). Sua construção demandou vários meses e o resultado foi gratificante.


Esta miniatura, em escala 1:13 (3cm de comprimento), também em aço, foi executada durante um ano, também com minúsculas peças (carretel é um pequeno rebite; volante é um botão de pressão, e a tesoura, um ganchinho de “soutien”, adaptado,…)

   
Um antigo apontador de lápis, em Zamac (liga de zinco, alumínio, magnésio e cobre), com 6cm, teve alguns micro detalhes acrescentados (carretel, linha, regulador, adesivos,...)

 
Miniatura metálica de máquina Singer a pedal (8cm), detalhadíssima, made in China. Adquirida em Ciudad del Este/PY (1998).

 
Artesanato em madeira (14cm), minuciosa, adquirida em Rio Negro – PR (2010)

 
Botões de madeira (aviamentos), em forma de máquinas de costurar (2cm), com pedestal adaptado.

 
Objeto de adorno (10cm), em resina, colorido, com a cabeça da costureira móvel (por mola). Desenho baseado em hilariante propaganda da New Home 1910, citado em Early Sewing Machine, pág 363. Fabricação chinesa.

 
Semelhante ao anterior (8cm), também bastante detalhado. Adquirido em Piratuba – SC.

 
Como o mesmo tema e material (11cm), ante os olhos atentos da menina. Adquirido em Piratuba – SC. Fabricação chinesa.

 
Bibelô em resina (9cm), colorido, representação da máquina de costurar rodeada por expressivos anjinhos.

 
Caixinha porta bijuterias (9cm), em resina, representando a máquina de costurar na tampa. Adquirido em Francisco Beltrão – PR.

 
Também em resina (12cm), caixinha cuja tampa apresenta um cão protegendo a máquina de costurar. Adquirida em Cascavel – PR.

 
Artesanato em madeira (26cm), com incorporação de acessórios metálicos, carretel de linha,... Adquirida em Toledo – PR.

Tais objetos de adorno e decoração, independentes de sua natureza, material ou dimensão, representam um formal e delicado ícone simbólico, despertando sentimento de beleza ou sublimidade.

Nesta conclusão, homenagem à princesa Sofia, minha primeira neta, recém nascida.

"Cada criança, ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus ainda não perdeu a esperança nos homens (Tagore – poeta hindu 1941)." 

Prof. Darlou D’Arisbo
14 de agosto de 2013