quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Calculadora Multo – publicação 19

Nesta postagem, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), apresenta algumas presenças em seu acervo secundário, brindado por ilustres peças não menos importantes. Assim, seu rico acervo é também povoado por antigas balanças, candeeiros, relógios de parede, moedores de grãos, maquininhas de calcular,… E, justamente esta, ilustra o motivo da presente publicação.

Os historiadores relatam que o homem, na origem da relação lógica do cálculo, utilizava como ferramental os próprios dedos. Depois passou a expressar sinais rupestres, seriados e em baixo relevo.

Lá pelo 4º milênio antes de Cristo, os fenícios inventaram a impressão de algarismos em placa de argila fresca, com a finalidade de facilitar “as contas”. Denominaram o sistema de ÁBACO. 
 
Depois, um tabuleiro coberto por areia, similar ao utilizado para escrever, era utilizado para cálculos aritméticos e demonstrativos.
 
Com o tempo foi aperfeiçoado e, dois séculos antes de Jesus, já era constituído por pedrinhas deslizantes em varetas paralelas, estruturado por um quadro de madeira. 



O grande progresso da máquina de calcular ocorreu em 1642, quando o adolescente francês Blaise Pascal, com apenas 18 anos, desenvolveu a “Pascalina”. O sistema possuía um conjunto de engrenagens interligadas, onde cada módulo era decimal em relação ao esquerdo. Foi a precursora dos processos lógicos atuais.


A perfeição da máquina permitiu seu acervamento no Conservatoire des Arts et Metiers, em Paris e, quase quatro séculos depois, ainda funciona.
 
Passados 30 anos, em 1673, o alemão Gottfried Leibnitz, aperfeiçoou a “Pascalina”, inventando uma máquina que efetuava multiplicação e divisão, em processo de adição (ou subtração) de parcelas.


E, na data da independência do Brasil (1822), na Inglaterra, o cientista Charles Babbage desenvolveu um sistema mecânico que permitia atá cálculos com funções trigonométricas e logarítmicas.
Na metade do século XX, diversas indústrias já produziam calculadoras, com emaranhado sistema mecânico.

Calculadora Multo, sueca, fabricada entre 1936 e 1954.



Esta calculadora Multo, modelo 3, fabricada na Suécia (1936 a 1954) foi uma gentilíssima doação ao nosso museu, pelos queridos amigos Ruy/Marlene e foi utilizada por eles durante décadas, em sua empresa.

O sistema de funcionamento é mecânico, por acionamento manual e, justamente por este motivo, exige um bom grau de compenetração e de entendimento. Ela processa as quatro operações de maneira lógica, quais sejam:

A SOMA, é cumulativa e cada algarismo é registrado mecanicamente por um cursor móvel. As parcelas numéricas então são acrescentadas por acionamento de manivela no sentido horário.

A SUBTRAÇÃO é análoga à soma, porém invertida, abatendo cada parcela da anterior, girando a manivela no sentido inverso. 

A MULTIPLICAÇÃO é mais complexa e baseia-se em seu princípio elementar, realizada por sucessivas adições de parcelas. O cursor inferior é móvel, permitindo acessar cada respectiva casa decimal. Assim ao multiplicar números com vários algarismos, acessa-se os decimais em sequência, assim como antigamente se executava à mão. À esquerda do cursor móvel há indicação do número de vezes que a parcela foi adicionada.

A DIVISÂO é ainda mais extravagante, para nós, escravos das eletrônicas. Alicerçada no procedimento elementar do cálculo realizado à mão, é efetivada ao contrário da multiplicação. Assemelha-se ao procedimento que fazíamos com lápis no caderno de aritmética. A máquina possui um providencial “sininho” que soa quando alguma parcela deduzida excede o valor de seu decimal correspondente.

Certamente, esta informação verbal é de difícil interpretação, principalmente para quem não mais executa multiplicações e divisões realizadas à mão.



Não necessitou de restauro, após ligeira limpeza e lubrificação, recebeu pés emborrachados (gentileza do “www.museudoradio.com) e teve sua capa protetora recosturada (delicadamente executada pela rainha San).

Então, devidamente protegida, aposentada após o digno trabalho de décadas, mantida presente como digna página na história da evolução técnica mecânica.

Pensamento do dia: “Evitarei, com todas as minhas forças, duas calamidades: 
a pressa e a indecisão.” (9º Mandamento da Serenidade)

Prof. Darlou D’Arisbo
11 de fevereiro de 2015 

4 comentários:

  1. Belissima contribuição ao Museu!
    como sempre uma bela postagem

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  2. Bom dia. Tenho uma calculadora cuja marca se perdeu no tempo. Entretanto, por pesquisas na Internet e por similaridade, encontrei a marca "MULTO". Neste site está um exemplo http://www.johnwolff.id.au/calculators/pinwheel/pinwheel.htm#Multo3.
    Entretanto, você atribui à sua máquina a marca "MUTTO". São duas marcas, ou alguém se equivocou? Abraços.

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    1. Prezado: Realmente a marca é MULTO. Escusamo-nos pela falha, parabenizando-o pela comunicação. Vossa elucidadora informação corrobora a intenção de nosso blog, pois que assim também instruimo-nos. Penhoramos aqui nosso agradecimento.

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  3. Gostei muitíssimo da história s/a Multo, cujo nome fui descobri agora pq apesar de ter trabalhado nesse tipo de calculadora, a mesma não tinha nome. Só agora tive interesse pelo assunto visto que ao vê-la num brik tratei de comprá-la pois reconheci o valor do passado ao lembrar que na Multo muito trabalhei em 1962. Recuperei-a em parte por fora e no interior, depois de abri-la, me deparei com uma engrenagem emperrada que não consegui desengripar até agora. Descobri como funciona mas falta algo que não descobri do funcionamento. Pena que não consigo ninguém que a conserte, mas por sorte, está no meu balcão/bar para os meus neto e bisnetos apreciarem. Grato e Parabéns ao site.


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